sábado, 14 de maio de 2011

Tentando organizar os pensamentos


Oi gente

Primeiro eu queria agradecer por todos os recadinhos aqui no blog, no Face e por e-mail. É maravilhoso ter o apoio de todos vocês.

Agora as coisas estão mais calmas, embora minha cabeça esteja bem confusa. Para mim, é difícil organizar pensamentos e elencar tarefas a serem cumpridas. Embora eu já esteja bem, quando olho para dentro, parece que a cabeça está oca. É bastante angustiante.

Minha psicóloga me disse que é normal... seria o tal do pós-trauma. Segundo ela, o cérebro precisa se reorganizar. Tomara que não demore muito...

O assaltante que atirou no Marlon já foi preso e acho minha reação estranha. Todos ficam me falando algo... "Bandido bom é bandido morto" ou "Coitado, vai sofrer muito", etc.  Enquanto isso, fico pensando comigo mesma: "O que EU sinto por esta criatura?"  E acho que a resposta é nada... Sei que não sinto raiva como sempre achei que sentiria quando via notícias na TV de situações parecidas. Acho que não sinto pena dele como pessoa.  Também não o desprezo. Não desejo nada a ele, nem de bom nem de ruim.

Acho que pela primeira vez, experimento a total indiferença verdadeira. Mas isso não é estranho? Não deveria sentir algo? Esse homem quase acabou com meu sonho de felicidade! Bom... não sinto,

Só o que sei é que acho um horror que um rapaz tão novo não tenha nenhum amor à vida, que não seja capaz de considerar antes de atirar em um pai de família. É uma falta de valores, de amor, de tudo... Fico pensando se as coisas poderiam ser melhores. Será que se o sistema reeducasse alguém tudo isso poderia ter sido evitado? Ele já tinha passagem quando adolescente. Será que naquela época já não havia esperança? Só Deus sabe...

Agora minha preocupação é outra. As pessoas me dizem que não devo pensar nisso, mas é inevitável. Quantos anos ele fica preso? 3, 4... isso se não fugir antes... Não quero passar meus dias contando o tempo que ele ainda tem para cumprir. Me aconselham dizendo que a gente não pode se deixar abalar mas, cansei de ser forte. Não quero encarar mais essa. Minha coragem ficou na sala de parto. Quando penso nas minhas filhas, tenho certeza de que quero deixar Cuiabá para trás.

Temos amigos maravilhosos por aqui. Mas sei que são amigos para a vida toda. Vou sentir saudades mas daremos um jeito de nos ver. Agora quero ver se vamos para mais perto da família e mais longe desse cara.

domingo, 8 de maio de 2011

A pior semana da minha vida

Bom gente. Tem coisas na vida que a gente nunca espera. Na sexta passada (29), uma dessas aconteceu comigo. Tudo corria como sempre.

Na hora do almoço, Marlon trouxe Helena, comemos, colocamos as três pequenas na cama e fomos ficar juntinhos. Temos sempre uns dez minutinhos para isso.

Depois, meu amor me deu um beijo, se despediu como sempre e quase que nunca mais volta para nós.

Por volta de umas 14:30, uma amiga me ligou dizendo que vinha com a irmã me ver. Achei estranho pois ela trabalha muito e normalmente não teria tempo mas, comecei a dar um jeito nas coisas.

Dez minutos mais tarde, uma outra amiga me ligou. Disse que eu ficasse calma que ela vinha me buscar e levar para o hospital pois o Marlon tinha sido baleado em um assalto.

O chão me faltou. Não havia como escolher uma roupa. Pegava duas calças, depois duas blusas. Por fim, botei qualquer roupa. Chamei uma vizinha e a Flávia trouxe Carol para ficar com as crianças.

Quando cheguei no hospital, vi o corredor cheio de amigos e percebi que a coisa era pior do que eu pensava. A princípio me disseram que ele tinha sido baleado no ombro e pensei que não seria nada muito complicado. A cirurgia, na minha cabeça seria para extrair a bala, ou algo parecido.

Hoje já sei que o médico disse aos nossos amigos que dificilmente ele sobreviveria e que eles tinham me chamado para que eu me despedisse.

O tempo foi passando e somente quando já havia 4 horas de cirurgia, um cirurgião saiu da sala e começou a me explicar o que realmente ocorrera. Marlon perdera todo o sangue do corpo. Tinha tomado 10 bolsas de transfusão pois a veia cava fora atingida. Além disso, quebraram a costela dele pois a bala perfurou o pulmão, passando a um dedo do coração. Mas ele estava estável e outra equipe assumira para fazer a reconstrução do ombro.

Foram mais duas horas de cirurgia e o cirurgião vascular saiu da sala. Ele nos falou que foram arrebentados 5 cm da veia sub-clava que não foram reconstruídos pois eles acharam que ele não resistiria à operação. O resto estava no lugar e as possíveis sequelas iam da perda do braço à perda de movimentos total ou parcial.

Fiquei arrasada mas, pelo menos ele estava vivo. Quando ele saiu do centro cirurgico, estava branco como papel, com os lábios inchados pelo respirador e sedado ainda. Conseguiu abrir os olhos e olhar para mim. Lhe disse que estava ali e que esperava por ele quando ele ficasse bom. Eu e as meninas. Subi no elevador com ele e fui até a porta da UTI.

Depois que ele entrou, me deram uma lista dos itens de higiene pessoal que ele precisava. Fui à farmácia ao lado do hospital e levei tudo na UTI. Depois, pedi que me levassem para casa para ver minhas filhas. Tinha que amamentar as gêmeas. Chegando em casa, amigas e vizinhas tinham cuidado das meninas para mim. A casa acalmou mas eu não dormia. Fui para a rua caminhar. De dois em dois minutos eu tinha uma crise de choro. Era uma sensação de solidão horrível. Meu companheiro não estava comigo e eu não podia estar com ele. Minha vontade era de estar sentada na porta da UTI e acho que eu teria feito isso se não tivesse que amamentar minhas filhas.

No dia seguinte pedi a um amigo que me levasse até o hospital para que eu tivesse notícias. Todo o tempo eu pensava em como seria minha vida se o Marlon não resistisse. Minhas três filhas não teriam pai. Eu iria embora de Cuiabá? Para onde? Fazer o que? O amor da minha vida poderia nunca mais se deitar ao me lado. Nunca mais beijar as filhas. E eu nem tinha tido chance de me despedir.

Quando cheguei no hospital, encontrei outro amigo. Eles tinham se revezado a noite toda na porta da UTI. Um médico amigo nosso apareceu e entrou lá para ter notícias. Marlon estava estável mas continuava correndo risco. Se recuperava bem mas, ainda não estava fora de perigo. Eu só poderia vê-lo no final da tarde. Fui para casa e, por mais que deitasse, não conseguia tirar da cabeça a imagem dele sendo baleado. Deitei na cama mas não podia fechar os olhos. Comida eu não podia nem imaginar. No máximo, líquidos.

Antes do horário de visitas, tomei um banho e coloquei uma roupa melhor. Não queria que ele ficasse preocupado por minha causa. Não podia chorar na sua frente. Tinha que estar bem. As meninas estavam sendo ainda cuidadas por amigas e assim continuou até segunda quando minha sogra chegou.

Quando entrei lá, o cobri e comecei a conversar com ele. Eu não podia alcançá-lo para dar um beijo. Na garganta um cateter, fios para monitorá-lo no peito, soros, curativos e etc. Ele ainda estava branco como papel mas já passara para a unidade semi-intensiva pois estava consciente. As notícias eram boas. Ele se mantivera estável, o braço respondia bem ao tratamento, não havia inchado e havia movimento nos dedos.

Voltei para casa. Continuava sem comer e sem dormir. Quando alguém tirava Helena de casa, eu me permitia chorar. Mal conseguia andar. Na frente dela, era só sorrisos. Para ela o papai estava viajando e logo voltaria.

Olhava as roupas dele pela casa e não conseguia guardá-las. Seu sapato estava no canto do quarto e não podia olhá-lo nem guardá-lo. Minha mente estava vazia. Eu não conseguia pensar em qual era o próximo passo. Graças a Deus que os amigos foram maravilhosos e cuidaram de tudo para mim.

No domingo de novo fiquei de manhã no hospital para ter notícias. Não encontrei com o cirurgião vascular. Liguei para ele e ele me disse que o Marlon estava tendo uma recuperação muito melhor do que o esperado e que por ele teria alta da UTI. Faltava a opinião do cirurgião de tórax.

De tarde, minha avó que não sabia de nada (e continua sem saber) me ligou e tive que fazer uma voz boa e dar risada com ela, brincar e dizer que todos estavam bem. Ainda estou estudando uma forma de contar para ela pois meus pais estão fora do país e não podem ir até lá.

No horário de visita ele já estava com uma cor muito melhor e eu comecei a ficar um pouco melhor também. Nesta noite eu consegui dormir da 01:30, às 5:00 e já levantei um pouco melhor.

Na segunda, me ligaram por volta do meio-dia dizendo que eu fosse ao hospital pois ele iria descer para o quarto. Fiz uma bolsa com algumas roupas para ele e saí correndo. Recepcionei ele, ajudei-o a se vestir e a partir daí é que minha cabeça começou a funcionar de novo, embora o trabalho tenha aumentado.

Só nesse dia é que consegui falar com minha mãe. Também nesse dia minha sogra chegou. A Flávia que já a conhecia foi buscá-la e a levou direto para o hospital.

A partir daí as coisas começaram a melhorar. A cada dia o Marlon parecia melhor e depois que tirou o dreno que estava no pulmão, parecia estar novo.

Sem o dreno, conseguimos colocar uma camisa nele e levei a Helena para vê-lo pois ele sentia muita falta dela e ela já não veria os ferimentos. Foi emocionante levar ela até lá e pensar que tinha sido por pouco que eu poderia nunca mais ver essa cena.

Ao final de uma semana, o médico deu alta e agora meu amor está conosco novamente.

Logo no primeiro dia a Helena saiu para brincar com a avó e o Marlon subiu para descansar. Quando ela voltou me olhou séria e perguntou para mim: "cadê o papai?" e eu "Está descansando". Ela ficou desconfiada e pediu para ir fazer bagunça com ele na cama. Eu falei para ela que ele não podia fazer bagunça mas que ela poderia subir para dar um beijo nele. Eu senti que ela estava com medo que ele tivesse ido embora de novo. Ela subiu, o viu e depois desceu e brincou o dia todo tranquila.


Marlon ainda sente dor mas já brinca com as filhas, faz as refeições conosco e dorme ao meu lado. O resto é resto.




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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Diagnóstico, enfim (pelo menos para o seio)

Bom gente

Queria antes de mais nada agradecer muito às minhas queridas amigas virtuais pelo apoio. É muito bom ter alguém que entende a maternidade me dando apoio, opiniões e conselhos.

Hoje o mastologista me ligou e me disse para ir ao consultório. Mais uma vez me examinou e olhou os exames. Afinal, ele me deu um diagnóstico. Na verdade, o que eu tenho é um raro e dolorido estreitamento de um canal de leite onde, quando o leite tenta descer, fica represado ali e isso causa a dor.

Beleza, a boa notícia é que não é nada grave, não vou morrer disso e não há risco de sequelas permanentes. A má notícia? É que só há um tratamento possível: desmamar as meninas. O médico então sugeriu que eu pese prós e contras e decida. Ele disse que se eu decidir desmamar e sinta muita dor, ele passa um remédio para parar a produção de leite.

Agora é ver o quanto eu agüento. Quarta volto na GO e vou conversar com ela. Quero ver a relação custo/benefício de usar algum antiinflamatório (porque eles passam para o leite e alguns podem fazer mal para as pequenas) e desmamá-las de vez.

É uma pena... com a Helena eu mantive apenas uma mamada por dia por um bom tempo, até que meu ciclo ficou tão desregulado (eu tomava Cerazette) que tive que voltar para o anticoncepcional normal e terminar o desmame. COm  essas, como eu estou com o Mirena, eu queria manter um pouquinho mais... Mas, parece que mesmo depois de tanta luta, agora vou ter que deixar a amamentação para trás.

Depois volto, pessoal...

Agora vou dormir que acabou o CQC e estou morta de sono!

Beijos

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Saúde da mamãe vs amamentação

Oi gente

Hoje vim com um pouco mais de calma para falar sobre o que está acontecendo com a minha saúde. Ontem visitei um ortopedista especialista em coluna. Ele me examinou e falou que minha dor não deve ser uma hérnia de disco, mas uma inflamação das articulações. Também falou que a condromalácea* do meu joelho pode ser tratada mas não tem cura. O problema é que ele não pode me tratar enquanto eu amamentar pois os remédios passam para o leite e prejudicam os rins das pequenas. Ele me perguntou até quando eu pretendia amamentar. Eu respondi um ano mas, para falar a verdade, tinha a esperança de manter até um pouco mais.

O pior é a dor no seio que continua sem solução. A dra. Iara (pediatra) falou que vai tentar interceder junto ao mastologista para que ele me dê um pouco mais de atenção pois ela acha interessante mantê-las no seio.

Para falar a verdade, sinto-me angustiada só de imaginar fazer uma mamadeira para elas estando cheia de leite como estou. O problema é que sinto que meu corpo está precisando de ajuda mas só de dizer isso, meus olhos se enchem de lágrimas. A Helena nunca ficou doente enquanto estava no seio. Agora mesmo eu e ela estamos gripadíssimas e as gêmeas só estão com o nariz escorrendo um pouco. Depois de acompanhá-las na UTI, fico apreensiva em tirar esse reforço imunológico delas.

A bem da verdade, o Marlon também vê minha dor e acha que eu deveria desmamar para poder me cuidar melhor. Ele fica preocupado comigo. Às vezes penso se não sou eu que estou me agarrando a isso mas é difícil mesmo. É um momento nosso e provavelmente não vou amamentar mais ninguém na vida. Não estou preparada psicologicamente para desmamá-las agora.

Acho que se for o caso, terei que buscar ajuda. Ai... estou tão triste....

* Condormalácea: É o amaciamento e degeneração da cartilagem de hialina que se encontra por baixo da patela. Essa cartilagem é muito pouco vascularizada e sua recuperação fica prejudicada.
*

domingo, 17 de abril de 2011

Consulta GO e minhas dores

Oi gente

Esta semana fui numa consulta com uma nova GO. A minha é muito boa mas agora não marca mais horário e assim fica ruim para mim, além de eu achar uma falta de respeito absurda. Então a Dra. Iara (pediatra) me indicou a GO dela.

Adorei a médica, acho que vamos nos acertar. Conversei com ela sobre como estou me sentindo velha demais para quem ainda vai fazer 30 anos. Estou com condromalácea nos joelhos e isso não tem jeito pois a Dra. Iara não me deixou tomar o remédio enquanto amamentar, tenho dores demais nas costas. Lavar a louça é uma tortura, sinto-me super cansada quase o tempo todo, meu cabelo cai para caramba, minha libido anda a zero, etc.

Então ela me examinou, viu os exames que fiz em janeiro e pediu mais alguns para ver alguns hormônios masculinos (por causa do cabelo e libido), me indicou um ortopedista de coluna (onde vou quarta) pois disse que a gravidez gemelar pode ter causado uma hérnia de disco e fez o preventivo.

Estive também pensando em voltar ao Dr. Marco Aurélio (ortomolecular) que é marido da Dra. Iara e com quem me tratei depois que tive a Helena. A ortomolecular dá uma sensação de bem-estar melhor.

O outro problema é o seio que esta semana voltou a doer muito. Sexta o Marlon teve que voltar do trabalho ainda de manhã pois eu não conseguia cuidar das pequenas. Já liguei duas vezes para o mastologista para saber se ele vai querer fazer a ressonância mas ele não me retorna. Amanhã vou ligar de novo e pedir um encaixe que seja pois não posso mais ficar assim. A dor é de enlouquecer!

Ah... a dra. também me mandou procurar um cardiologista pois meu colesterol está muito alto... Vou marcar essa semana.

Depois mando mais notícias

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Mais dor

Há uma semana tenho tido novamente crises incapacitantes de dor no seio. Hoje novamente liguei para o mastologista que há 15 dias ficou de ver se eu faria uma ressonancia.
Agora botei as meninas no berço e voltei pra cama... tá difícil...
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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Domingo de Arrumação



Oi gente

Ontem foi dia de muito trabalho. Tinha combinado com a Flávia, minha amigona e madrinha da Iris, que ela viria para me ajudar a arrumar meu escritório, com minha papelada e coisas de artesanato pois as diversas diaristas e empregadas que passaram por aqui entulharam tanto o quarto que um dia abri o armário e as coisas caíram em cima de mim!

Então ela veio... Não foi fácil! Acabamos lá pelas 20:00 e com pernas, joelhos e costas acabados. Felizmente eu tinha guardado umas caixas de sapatos e conseguimos separar tudo e encaixotar e etiquetar.

Também comprei no sábado, uma série de coisinhas que precisava para a casa. Um refletor para podermos sentar na frente de casa com iluminação, um suporte para a mangueira, prateleirinhas quadradas para enfeitar o quarto das gêmeas. Então o Marlon conseguiu ajeitar algumas coisas mas outras ficaram para a próxima.

Gosto da sensação de aos poucos ir dando a nossa cara para a casa, né? Agora tenho uma foto ENORME para emoldurar e pendurar na sala e um painel que quero fazer na sala de jantar com fotos de todos os 5. Depois que as meninas estiverem na escolinha, também vou pintar a casa aos poucos. Veremos. Vai depender de uma ajudinha... Amanhã tenho mais uma diarista marcada... será que vai aparecer?

Ah...  amanhã também vem um rapaz tirar uma pedra da cozinha e colocar na área para que eu possa tirar o freezer da sala e colocar ao lado da geladeira...

Acho que o nesting que não pude fazer antes das meninas nascerem tá vindo atrasado - kkkkkkkk